Todos os abraços
Cultura
Durante o cafezinho do(a) marinamelz
Apaguei quatro começos de textos falando do musical Orfeu 21. Não sabia se começava com a vontade de subir ao palco e abraçar (de uma só vez) 130 pessoas lindas, se escrevia diretamente ao Gregory Haertel, se começava explicando ao Pépe Sedrez porque eu o abracei no meio do corredor ou então se eu contava para o Fábio Hostert porque passei cinco vezes por ele sem conseguir me aproximar. Então eu resolvi que ia começar desse jeito meio zonzo, porque foi assim que eu deixei o Teatro Carlos Gomes no domingo (6). (E os abraços, lá no final.)
Orfeu 21 é um musical que reuniu a Cia. Carona (lindos, lindos!), a Escola de Música do Teatro Carlos Gomes e o Pró-Dança. Tenho vontade de ficar escrevendo que foi lindo, lindo, lindo e pronto. Mas vocês merecem saber mais.
É a história de um rock star, Rogério (Fábio Hostert), que se apaixona pela bailarina Alice (Lúcia Helena Martins). O amor dos dois é interrompido por uma tragédia mais do que contemporânea e começa uma viagem pelos pensamentos de Rogério. A história é baseada no mito de Orfeu, mas sem nenhuma amarra.

Tudo é muito bem colocado em Orfeu 21: os coros, as danças, os solos, os cantos, as atuações. Não houve um só momento do espetáculo em que eu desviasse o foco do que realmente estava acontecendo no palco. Mesmo. Juro. Nem pra pensar em beber a minha garrafa d’água, que terminou o espetáculo intacta. Nem nada.
Orfeu 21 é harmônico. Do começo ao fim. Entre as pessoas, que choraram emocionadas quando o Pépe anunciou formalmente uma segunda temporada. Entre as artes, que se completam. Entre texto e música, som e silêncio, luz e breu.
Poucos dias antes, vi o documentário sobre Heinz Geyer no 1º Festival de Cinema de Blumenau. Foi impossível não ligar às duas coisas. Tenho certeza que, de algum lugar, ele sorriu bonito quando viu, no auditório com o seu nome, a arte local voltar a brilhar. Só que, ao contrário do que ele fez, dessa vez eram todos profissionais. E como eram bons.
O meu abraço (em todos),
Vocês foram impecáveis, mesmo quando falharam. Porque nós não vimos e acreditamos que tudo aquilo não passou de um sonho bonito. Aos meus amigos que fizeram parte do elenco e da produção, meu orgulho extremo e meus olhos cheios de lágrimas. Vocês me mostraram mais uma vez que é possível. E com vontade e muita garra dá, sim, para fazer arrepiar um teatro lotado por cinco sessões.
O meu abraço (ao Gregory),
Gregory, meu amigo tão querido. Quando você me falou que tinha ficado mal acostumado com cinco dias de teatro lotado, eu quis chamar todo mundo a tua volta e dizer “viram? Viram do que ele é capaz?”. Tu merece estar muito bem acostumado com tudo de bom que acontece a tua volta. Não vou dizer que esse é só o começo, porque há tempos o começo já mostrou a que vinhas. Esse é o meio. E tem muito mais pra chegar onde tu realmente merece.
O meu abraço (ao Pépe),
Você nem deve saber quem eu sou, Pépe. E nem interessa também. O fato é que eu te abracei no meio do corredor, logo depois de abraçares outro amigo querido. E eu não falei nada. Foi daqueles momentos que a gente tem tanto pra dizer que é melhor não falar nada. Quis te agradecer pelo tapa na cara da sociedade, quis te parabenizar por ser maestro de tanta coisa bonita, quis te dizer que rezei pro nosso São Jorge para que desse tudo certo. Mas eu não disse nada. Fui eu que te abraçou em silêncio.
O meu abraço (ao Fábio),
Passei cinco vezes por você depois do espetáculo. Cinco. Cinco vezes que eu pensei em dizer “oi, eu sou a Marina, te vi em quinhentas e quinze peças e quero te dizer que foi demais”. Mas eu não disse. E passei reto, com cara de vergonha por nunca ter me apresentado antes pra dizer o quanto as outras peças que tu fizesse foram boas. Mas em Orfeu… ah, não dá. Não consigo descrever, não. Quem sabe com um abraço. Em silêncio.
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Irremediável
Cultura
Durante o cafezinho do(a) marinamelz
Um primeiro encontro geralmente é muito bem planejado. Horário (com direito a minutos e segundos) para sair de casa, roupa bonita, corpo cheiroso. Um primeiro encontro geralmente é cheio de preparativos, com expectativa de não saber ao certo o que vai encontrar pela frente. E na última sexta-feira eu tive meu primeiro encontro com Chico Buarque. Meu maior ídolo vivo.
Saí duas horas atrasada, não tive tempo nem mesmo de trocar o sapato. Então vi Chico como eu passei o dia inteiro: de tênis, com desodorante no limite do vencimento e com a cara inchada de quem não dormiu, passou mal durante boa parte do dia e ainda chorou por duas horas por pensar que não chegaria a tempo. E foi amor a primeira vista.
Eu sabia exatamente o que esperar. Um Chico apaixonado, diziam. Um show mais intimista, comentavam. É tudo isso. Mas nem tanto assim. Tímido como sempre, parecendo entregue como nunca, Chico estava sereno. Com poucas palavras e muitos acordes. Com muitos suspiros vindos do lado de cá de um Teatro Guaíra lotado.
Digam o que quiserem dizer, me chamem de louca. Eu gosto do novo Chico. Tanto quanto sempre gostei do velho. E talvez tenha sido por isso que Essa pequena (chorei!), Nina, Querido diário e Tipo um baião me emocionaram tanto quanto Desalento, Bastidores e Velho Francisco.
Talvez pelo momento. No meu primeiro encontro com Chico, ele estava apaixonado, e eu também. Estive lá, nas confortáveis cadeiras de um dos teatros mais bonitos que eu já conheci, com a única pessoa no mundo com quem eu queria estar. O namorado que realizou mais esse sonho. Que fez com que eu riscasse mais um item da minha lista e mais um pouco o nome dele dentro de mim.
Também não tive como não reparar no sapato de Wilson das Neves. A participação especial em Sou eu foi uma das mais esperadas por mim no show. E não negou nenhum pouco ás expectativas: Chico Buarque é do samba. E só ao lado de um monstro como Wilson (que é das Neves mas tem interpretação confundível com Moreira) dá pra perceber isso.

A banda toda, aliás, merecia um texto só pra ela. A iluminação do show, outro. Mas não vou mais falar. Prefiro que vocês saibam só assim, meio superficialmente, que o show parece simplesmente não existir. É perfeito.
Eu tive um primeiro encontro com Chico Buarque. E é natural que isso presentemente represente muito pra mim.
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Dia do samba, dia do Brasil.
Cultura
Durante o cafezinho do(a) marinamelz
Hoje é dia nacional do samba. Dia nacional do ritmo mais brasileiro. Dia nacional de largar tudo para encontrar os amigos na praça para firmar o batuque e comemorar. Ou pelo menos é isso que acontece aqui em Blumenau (SC) a partir das 17h30min na praça Dr. Blumenau.
A minha história com o samba é recente. Há uns três ou quatro anos, nem lembro bem porque, fui a uma roda de samba no nosso querido boteco, o Butiquin Wollstein. Caí no samba e nunca mais saí.
E quem confunde samba e pagode, é bom explicar. Pagode, no linguajar do samba, nada mais é do que um encontro de sambistas para um batuque. “Vou ali no pagode” nada mais é do que “vou ali numa roda de samba”. O pagode como muitos conhecem geralmente é só um gênero do samba chamado partido alto.
Outra curiosidade envolvendo este termo é o Zeca Pagodinho. Adivinhem qual é o gênero favorito do Zeca? Partido alto.
Pois bem. Separei quatro vídeos para homenagear o meu ritmo favorito. O critério é não usar os clássicos, ou estariam por aqui Cartola, Paulinho da Viola, Bezerra da Silva, Beth Carvalho, Arlindo Cruz, João Nogueira e por aí vai. São nomes novos, porque afinal de contas, o samba não vai morrer nunca.
Teresa Cristina
Diogo Nogueira
Casuarina
Mariana Aydar










