Rugas iluminadas
Cultura
Durante o cafezinho do(a) Bruno Stolf
Eram duas. A da esquerda tinha aqueles cabelos típicos de avó: curtos e pintados discretamente. Em volta da boca, tinha pequenas rugas que franziam os lábios franzinos. A da direita era como todos os registros da história blumenauense mostram as pessoas idosas: de cabelos muito brancos, longos e presos perto da nuca, com os braços grossos envoltos em várias camadas de casacos. Sentei logo atrás, mas não tive nenhum olhar delas, que já estavam compenetradas na história.
Fazia frio no último dia do 1º Festival de Cinema de Blumenau. Uma iniciativa de apaixonados pela sétima arte que provaram para a cidade que não há como dizer que é impossível. O auditório Willy Sievert, no Teatro Carlos Gomes, estava quase lotado para assistir a sua própria história.
O documentário dirigido por Andreas Peters começa leve. A chegada do maestro Heinz Geyer à terras brasileiras e a Blumenau. Mesclando entre animação, depoimentos e uma atuação hora bonita, hora frenética de James Pierre Beck, o documentário manteve calada uma platéia também dividida entre os que conheceram um pouco do maestro, os que o estavam conhecendo ali e os que ansiavam para que Blumenau voltasse a ter bons tempos como aqueles.
Geyer foi, antes de tudo, um guerreiro. Com a sua paixão e o seu feeling na música, conseguiu, sem nenhum tipo de apoio financeiro e com artistas que, mesmo que bons, eram amadores tecnicamente, subir ao palco do Teatro Municipal de São Paulo. As conquistas não pararam por aí: teatros lotados em todo país, o desenvolvimento de um gosto pela apreciação da cultura em Blumenau e a construção de um patrimônio histórico imensurável para cidade.
Guerreiros foram também Andreas e o diretor musical, André de Souza. Num arquivo bagunçado, com pouca catalogação e quase nenhuma pesquisa pronta sobre a obra, transmitiram uma história que começa e termina com música.
Pedra fundamental: na teoria e na prática
Uma das raras fotografias em que Geyer aparece é num momento histórico para a cidade: na inauguração da pedra fundamental do Teatro Carlos Gomes. Assistimos a um debate acalorado de pessoas apaixonadas por cultura e pela personalidade do maestro o porquê de um reconhecimento tardio, de uma falta de continuidade ao trabalho e aos sonhos do maestro.
Não havia atacantes ou defensores, muito menos juízes. Eram apenas dois diretores falando sobre sua obra e sendo compreendidos por uma platéia que buscava respostas inexistentes. Mas todos saíram com uma certeza: Geyer foi a pedra fundamental da cultura blumenauense.
De saudade, de emoção, de tristeza
Depois que as luzes acenderam, pude ver por trás das grossas lentes dos óculos das duas senhoras sentadas a minha frente, lágrimas. Numa bonita confusão, o reflexo da luz da tela se tornou lembrança recente: aquelas duas senhoras depuseram no documentário de Peters. Achei indelicado perguntar se aquelas lágrimas tímidas, que se perdiam em meio às rugas eram de saudade, de emoção ou de tristeza. Mas tive certeza que a história foi muito verdadeira. Aquelas senhoras, com tantas rugas no rosto, não chorariam em vão.
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Os Vingadores vingaram as expectativas
Filmes
Durante o cafezinho do(a) Bruno Stolf
Todas as cadeiras, viradas de cabeça para baixo, em cima das mesas. Tudo vazio. Havia mais pedreiros trabalhando em reformas internas que pessoas indo em direção ao cinema. O único Thor por perto, com um martelo na mão, não tinha nada de loiro e pregava tábuas em uma espécie de andaime. Este era o clima do shopping Neumarkt, em Blumenau, ontem à noite, antes da sessão de pré-estréia do filme Os Vingadores.
O horário era muito épico. Ou, deveria parecer. Faltando exatamente um minuto para a meia noite, a sessão teria início. Mas, chegamos uma hora e meia antes, pois conseguimos ingressos com aquele amigo do amigo que de última hora resolveu não ir e queria dormir. Perda a dele. Passamos em sua casa, pegamos os ingressos e fomos para o shopping. Passada a cena de desolação citada anteriormente, sentamos em uma mesa – com cadeiras que baixamos nós mesmos -, e, com uma latinha de cerveja, ficamos conversando sobre qualquer coisa. Aos poucos, mais pessoas foram chegando. As surpresas se deram na forma de grupos inteiros apenas de meninas. Não é preconceito, mas é raro ver meninas indo em uma sessão de Avengers. Na pré-estréia, então, quase inédito. Alguns casais de pessoas mais velhas também estavam presentes – provavelmente algum nerd inveterado que chegou aos 40, mas nunca deixou de querer ser o Homem de Ferro.
Finalmente chegou perto do horário e resolvemos entrar. A sala do filme era grande e sentamos na fileira F, que garante uma visão mais direcionada do que qualquer outra coisa. É aquele velho “foco nas cenas, foco nas cenas rápidas!”. O filme era em 3D. Eu não gosto de assistir filmes em 3D porque acredito que a tecnologia ainda não está no seu primor. Cenas rápidas ainda ficam levemente borradas e para realmente sentir o efeito 3D, é preciso focar bem nas coisas. Apenas detalhes periféricos realmente parecem flutuar ao seu redor. Felizmente, o filme Os Vingadores teve um orçamento muito grande e a tecnologia conseguiu garantir alta qualidade no quesito 3D. Não senti nem metade do incômodo que senti em outros filmes. Provavelmente isso foi devido ao fato de que o 3D deste filme não foi feito parar parecer que objetos voam em sua cara. Ele foi mais fiel ao nome e focou em criar uma terceira dimensão que não vemos em filmes 2D, a profundidade. Pouquíssimos momentos do filme possuem cenas com objetos voando em sua direção, mas sempre há aquela sensação de que é possível entrar pela tela e andar pelo cenário. Ponto bônus para o filme!
Agora, depois de muitas delongas, o filme em si. Primeiramente, é necessário dizer desde já que Os Vingadores é um filme solo. Uma pessoa que não assistiu os filmes que foram prelúdios para ele ou que nem conhecem direito os personagens podem assistir tranquilamente e achar o filme o máximo. Ele tem doses de ação ridiculamente bem feitas, balanceadas com doses de humor dignas de títulos de comédia sem se transformar em algo puramente cômico. Mas, aí fica o aviso do bom amigo. Assistir aos filmes “prelúdios” faz TODA a diferença. Não importa se você achou o filme Thor uma porcaria, com a Natalie Portman tentando roubar a cena. Não importa se você não gostou de nenhum dos dois Hulks (apenas o segundo vale como prelúdio). Não importa se o Capitão América é um símbolo puramente capitalista criado na 2ª Grande Guerra para vender títulos para o exército norte-americano. Não mencionei os filmes do Homem de Ferro porque não consigo criticá-los – para mim, ambos foram excelentes. Conhecer os personagens dá, sim, uma base para saborear melhor Os Vingadores, mas ter assistido os filmes que vieram antes, cria a sensação de que tudo conspirou para este momento. The Avengers se torna, em suma, uma continuação e é algo inédito, pois nunca houveram filmes – quatro, diga-se de passagem – feitos com o propósito de gerar um só. A pressão era grande, sim, mas deu certo. Com 136 minutos de duração, não houve um momento em que algo pareceu errado. “Ah, esta cena não precisava”. “Ah, tá demorando pra passar”. “Meu, isso foi ridículo”. “Eu esperava mais”. Não se ouviram estas frases na saída e com certeza elas não passaram pela minha mente. De certa forma, a fórmula era infalível. Vamos por partes:
Nick Fury é interpretado por Samuel L. Jackson. “Ah, mas como assim? O Samuel não tem NADA a ver com o Nick Fury dos quadrinhos”. Ah, mas aí que reside a questão. O filme é cheio de momentos com citações diretas aos quadrinhos, mas não é para ser uma completa adaptação deles. Apesar de ser uma atuação típica do ator, o personagem não foi forçado a aparecer o tempo todo, como se fosse a estrela. Ponto de novo! Mesmo que você não goste de Samuel L. Jackson como Nick Fury, não é preciso se preocupar pois ele não é a estrela do show.
Eu nem deveria precisar falar da Scarlett Johansson. É simples: ela é gostosa. Mas deixando o machismo de lado, ela é uma atriz excelente. Dai você junta estes dois ingredientes dentro de uma roupa colada de couro, um cabelo que faz jus ao nome e manda ela interpretar um personagem igualmente bom. Não tem erro. Ela não é protagonista, exatamente como Nick Fury, mas cada momento em que ela aparece, é um momento marcante. Seja por humor, seja puramente pela aparência, seja pelos golpes que parecem ter sido coreografados para mostrar suas belas características físicas. Ponto, ponto, ponto!
Personagens revelações foram Bruce Banner e Clint Barton. Houve um rebuliço sobre a escolha para o personagem de Hulk. Descobri, nestes últimos meses, que ninguém gosta de Mark Ruffalo. Não sei por que, eu gosto, mas talvez seja questão de gosto. A verdade, porém, é que ele encaixou perfeitamente. Claro que todo mundo queriam o Edward Norton de volta, afinal, é o Edward Norton. Mas Bruce Banner não é mais o Bruce Banner do filme Hulk. Ele é outra pessoa (explica-se no filme), com outra mente. Este novo Bruce Banner é interpretado muito bem por Mark Ruffalo. Nada de cronômetros cardíacos, nada de suor na testa por qualquer coisa. Ele é um cientista genial, constantemente calmo por estar constantemente ciente de sua constante raiva. Eu achei genial. Já Clint Barton não faz nada incrível. A não ser que ele é basicamente o Legolas sem ser um elfo. Jeremy Renner é um ator mediano. Sua atuação acaba sendo mediana. Ele um assassino/soldado e, no fim, suas cenas são basicamente fruto de sua natureza. Ou seja, quando ele aparece ele, ou está matando gente, ou dizendo que vai matar. A revelação, porém, foi o fato de que ele não é ruim. Clark Gregg, o clássico agente Coulson, que aparecia nos outros filmes, especialmente no Homem de Ferro, da S.H.I.E.L.D, era um ator com falas engraçadas, mas que não parecia se encaixar no filme. Era uma peça extra, quase desnecessária. Jeremy Renner como Clint Barton, o Gavião Arqueiro, deu para o gasto e cumpriu sua função: fazer coisas explodirem. Vale ressaltar algo incrível: as cenas mais hilárias não envolvem o Homem de Ferro, mas, sim, o Hulk. Acredite.
Thor aparece, como no primeiro filme, mas, devido a falta de protagonistas por haver protagonistas demais, ele fica extremamente secundário. Sua atuação não mudou desde o primeiro filme, mas desta vez ele não é o foco. Por causa disso, ele acaba não sendo um dos destaques do filme, o que é meio triste considerando que Thor ainda é o deus do trovão. Mas, felizmente, ele não faz feio. Cumpre seu papel e as cenas em que aparece são bem feitas e divertidas. O que me pareceu, apenas, foi que ele não foi retratado muito fielmente sua verdadeira natureza. Ele ainda é o deus do trovão, mas há momentos em que ele parece ter sido diminuído em seus poderes. Claro que é necessário equalizar os personagens, não pode haver um super deus todo poderoso, senão qual seria a necessidade dos outros, mas ainda há um sentimento latente de “ele poderia ter feito mais”.
O Homem de Ferro é o Homem de Ferro. A atuação de Robert Downey Jr. é a melhor do filme, disparada. Inclusive uso como argumento o fato de que se houvesse outro ator mais marcante, eu teria lembrado, mas não consigo no momento. Suas falas são sarcásticas, pontuadas nos momentos perfeitos e nenhum outro ator domina tanto a expressão de sentimentos, seja raiva, sarcasmo ou tristeza como Robert. Maaaas, ele não rouba a cena, o que é um ponto bom, pois ele não deveria roubar. Suas engenhocas são o sonho de consumo de qualquer pessoa do sexo masculino e estão mais bem feitas digitalmente que nunca, mas quem lidera o grupo ainda é o velho Capitão América. Infelizmente, o Capitão América não é o cara mais bem humorado que existe. Ele é oldschool, lutou na 2ª Guerra Mundial e é basicamente um velho. Entende-se perfeitamente. E este é o problema. Ele é aquele cara com discursos moralistas e bonitos de “go team”, o que acaba sendo fiel ao personagem que ele é, mas com todos os outros elementos do filme, acaba sendo quase brega, o que, novamente, é quem ele é como personagem. É meio difícil decidir se tudo isso é bom ou ruim, mas uma certeza existe: a fórmula funcionou. Ele acaba encaixando como o líder do grupo eventualmente e não há uma sensação de que existe um líder melhor. No fundo, você sabe que o Hulk só serve pra sair correndo e esmagando tudo, o Thor deve voar soltando raios, o Homem de Ferro fazendo o que ele sabe fazer de melhor, usando todas milhões de miniarmas na armadura e o Capitão América deve ficar lá, no chão, apanhando de todos, mas sempre resistindo e sempre sendo o exemplo de “vamos vencer!”. É clichê, mas é legal e funciona.
Quanto à história em si, tem um background legal, mas puxa bastante para um dos personagens. Não vou entrar em detalhes, mas não é segredo para quem viu o trailer que o vilão da vez é Loki, o irmão de Thor. O ator encarna bem o deus traiçoeiro, mas pra quem gosta de avaliar a psique dos personagens, ele é um caso bem legal. Às vezes tu quase gosta dele e às vezes tu só fica feliz por ter super heróis querendo bater nele.
Em suma, o filme é excelente. Os efeitos especiais são de primeira, o elenco é lindo, a história é legal, os personagens são fielmente retratados (mesmo que à sua própria maneira), entretém mesmo quem não assistiu os prelúdios ou não conhece bem os personagens, vale o dinheiro, vale ver mais de uma vez no cinema, vale ver em 3D, vale ver em 2D, é tudibom. Me atrevo a dizer que fazia tempo que não via um filme em que não saia apontando defeitos. Claro, sempre vai ter quem diga que tem aquela fria muito fria e que aquilo lá não foi tão fiel ao personagem original, mas se você avaliar o filme como uma obra única, nascida dos outros filmes e não puramente dos quadrinhos, é um 9,5 garantido. E, digo uma única coisa: se todo filme tem um personagem que rouba a cena, dá pra dizer tranquilamente que não é quem todo mundo esperava. E isso acaba sendo muito bom.
Recomendo!
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Assassin’s Creed: Hitman na antiguidade
Games, Tecnologia
Durante o cafezinho do(a) Bruno Stolf
Aviso legal (não de lei, mas para ser camarada, mesmo)
Quando falo de coisas que gosto muito, me empolgo e saio falando coisas que talvez não deveria falar. Então, vou fazer um favor a todos e dizer que essa mega review, pode sim, conter spoilers. Não é minha intenção entregar nada legal do jogo, mas como vou falar do span de todos os jogos até agora, é capaz de falar sobre algo que você ainda não jogou. Tentarei não tirar a graça da história conforme for progredindo, mas se acontecer, peço desculpas aos cuidadosos. Eu ia inicialmente fazer uma única de todos os jogos até agora, mas esta vai encompassar só o primeiro, pois é difícil falar pouco de cada um.
Uma coisa deve ser deixada clara desde o início. A empresa que fez esta série é uma das melhores no ramo, mas que ultimamente tem sido atacada por nerds raivosos por suas constantes medidas invasivas de proteção contra pirataria. Eu mesmo sou contra muitas delas, mas o que quero dizer é que apesar de tudo, a Ubisoft e os estúdios envolvidos fizeram um trabalho incrível nesta série. É um produto feito para vender, sem dúvida alguma, mas eles fizeram algo digno de venda e não apenas mais um lixo comercial. É um jogo com uma história profunda e que prende o jogador de tal forma que por mais que você tenha jogado os três primeiros jogos da série (como eu), você pode estar cansado, mas ainda quer jogar o quarto e não parar mais. Com isso em mente, vamos ao primeiro da série: Assassin’s Creed.
Assassin’s Creed foi o primeiro jogo lançado em novembro de 2007. Inicialmente feito para consoles, ele ganhou um release para PC posteriormente. A premissa era simples: você é um assassino na época das cruzadas e seus inimigos são os templários. É quase um clichê, se não fosse pelo elemento inception por trás tudo. Você não é um assassino na época das cruzadas. Você é um bartender. What? Exato.
No primeiro jogo da série, você acorda em um quarto que mais parece um hospício/prisão do que qualquer outra coisa. Um doutor ou cientista em um jaleco branco aparece, lhe dá bom dia como se fosse um ótimo dia para se acordar em um quarto de um hospício/prisão e diz que você tem muito trabalho pela frente. Um #wtf parece apropriado. Desmond (o seu personagem) pergunta o que está acontecendo. Conversa vai, conversa vem, e você fica sabendo que seus ancestrais eram assassinos. Mais que isso. Como eles eram seus ancestrais, você possui memórias genéticas no seu DNA, mais ou menos como os pássaros que migram que nascem sabendo que tem que migrar. Tudo parece loucura e você jura que o doutor vai dar uma de maluco e dizer que vai transplantar um cérebro de macaco em você até que – bam bam bam baaaam, ele te apresenta o Animus. O Animus é a máquina que lê suas memórias genéticas. E o bom (aham…) doutor quer descobrir algo que está escondido no seu cérebro. O problema é que não é como se fosse um HD e você apenas acessasse os arquivos. Para as coisas fazerem sentido, você precisa reviver as memórias de forma que você possa ir acessando em uma ordem cronológica. E logo você se vê fazendo tudo que seu ancestral assassino, o famoso Altaïr, fez durante a época das cruzadas. Se não bastasse o incrível fator inception, você dá uma de hitman com lâminas escondidas, facas de atirar e outros aparatos muy legais. A história continua e não demora para você descobrir que a corporação que seqüestrou você e quer descobrir algo não é nada mais nada menos que os templários nos tempos de hoje (bam bam bam baaaam).
Momento spoiler que convence o cara a jogar (ou não):
Conforme você vai jogando, você descobre que os templários modernos querem descobrir onde foi escondido um artefato. Quem escondeu o artefato? Supostamente os assassinos na época de Altaïr. O que o artefato é? Apenas algo que, acreditam todos na época das cruzadas, Deus criou. Mais especificamente? A maçã que Eva pegou da árvore no Éden. É de comer? Não, mas ela te dá poderes divinos, como controlar a mente de todo mundo (*HFS).
Agora vamos ao gameplay e outras coisas.
O gameplay do primeiro jogo da série te deixa de cara. Você é praticamente um homem aranha menos as teias. Você sai correndo e escala praticamente qualquer prédio, salta de um para outro enquanto corre pelos telhados e pode se esconder em carroças de feno e outros lugares para fugir de guardas. Como no jogo Hitman, você pode planejar como matar alguns alvos, mas algumas missões devem ser executadas de forma X sempre. Além de quests principais, você pode salvar pessoas que são abusadas por templários e várias outras coisas. O jogo é, de uma forma geral, open ended. Você pode ir aonde quiser e não há muita linearidade (tirando as quests principais). Há cavalos para se movimentar entre as cidades (são três, mais a vila onde fica a fortaleza QG dos assassinos) mais rapidamente. As lutas com guardas são intuitivas e fáceis de controlar. Comandos como bloquear, contra atacar e se esquivar funcionam muito bem, mas quando 10 ou mais guardas vão para cima de você, comece a correr. O jogo é, afinal de contas, para ser jogado de modo stealth.
O visual é simplesmente belíssimo. Não consigo me recordar de outros jogos que mostraram tão fielmente Jerusalém ou Acre como Assassin’s Creed. Áreas pobres de cidades estão cheia de pedintes que se amontoam em cima de você pedindo dinheiro. Você pode jogar dinheiro para saírem do caminho ou empurrá-los e isso humaniza mais o jogo. Em compensação, quando você sobe uma torre bem alta e consegue ver TODA a cidade brilhando ao calorão oriental, você simplesmente fica de cara. É nessa hora que dá mais vontade do que nunca de pegar uma boa xícara de arábica (se é que você me entendeu) e ficar cinco minutos apreciando a vista e descansando as mãos do controle/teclado.
A trilha sonora não deixa a desejar. É o básico que funciona: momentos de fuga e combate, música rápida. Momentos calmos, música calma. Mas é tudo instrumental e combina perfeitamente com todo o cenário. É, provavelmente, um dos pontos cruciais que fazem com que você se sinta em uma Jerusalém do século XIII. O voice acting também é muito bem feito, dando muita fidelidade aos personagens.
Conclusão final:
O primeiro jogo da série DEVE ser jogado. Por mais que nas seqüenciais muita coisa tenha melhorado, é o primeiro Assassin’s Creed que dá o pontapé inicial na história e mostra como tudo começou e porque você vai continuar jogando. O visual, gameplay livre, trilha sonora e a sensação de ser um assassino do bem te faz se sentir como o 47 das antigas. A cinematic de introdução dá uma idéia de como é.
*Holy fucking shit















