60 anos de Uivo


Em 9 de outubro de 2015
Durante o cafezinho do(a)

7 de outubro de 1955 no número 3119 da Fillmore Street em San Francisco, Califórnia, em um galpão de oficina mecânica transformado em galeria de arte e batizado de Six Gallery, um grupo se reuniu para um evento de poesia regado a muito vinho, chamado de The Six Gallery Reading.

O ápice da noite foi quando Allen Ginsberg, já embriagado, iniciou a declamação de Uivo, hipnotizando os presentes, entre eles William Burroughs e Jack Kerouac, dizendo exatamente o que eles queriam ouvir e da forma como eles queriam se expressar, fato que mais tarde foi tido como o marco inicial da Geração Beat, considerada um dos primeiros movimentos de contracultura americanos que abriu caminho para o movimento hippie e o punk, nesse momento os jovens começavam a ter voz, e foi através de um longo e marcante Uivo.
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Lançado em 1956, O Uivo, foi considerado obsceno e confiscado pela polícia de São Francisco, depois de um longo julgamento o poema foi liberado pela Suprema Corte Americana, e a partir disso foi sucesso imediato, vendendo milhões de cópias e tornando-se um marco na poesia americana, hoje Uivo é considerado junto com On The Road de Jack Kerouac e Almoço Nu de William Burroughs as mais marcantes obras da Geração Beat, influenciando milhares de pessoas, entre elas Bob Dylan.
Jack Kerouac, Lucien Carr e Allen Ginsberg

Jack Kerouac, Lucien Carr e Allen Ginsberg

Allen Ginsberg nasceu em Newark, Nova Jersey, em 1926. Em 1940 entrou para a Columbia University, onde, apresentado pelo editor Lucien Carr, conheceu William Burroughs, Jack Kerouac e Neal Cassady, nomes que se tornariam os maiores expoentes da geração beat.
A L&PM Editores possui uma edição revista e ampliada da obra de Ginsberg, chamada Uivo, Kaddish e Outros Poemas, traduzida por Claudio Willer, enriquecida com notas e um ensaio sobre a vida e obra de Ginsberg, altamente recomendado.
uivo_ginsberg

“Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus

arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa,

hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite,

que pobres, esfarrapados de olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das cidades contemplando jazz,

que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cômodos,

 

 

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Big Sur e Jack Kerouac


Em 31 de Janeiro de 2015
Durante o cafezinho do(a)

Atenção, pode conter spoiler…

“Os sinos da igreja soam uma triste ‘Kathleen’ que o vento sopra até os barracos do skid row enquanto eu acordo todo lamentoso e gosmento, gemendo por conta de mais uma bebedeira e gemendo acima de tudo porque eu arruinei o meu ‘retorno secreto’ a São Francisco tomando todas enquanto me escondia pelos becos com vagabundos e depois fazendo uma entrada triunfal em North Beach para ver todo mundo embora eu e Lorenz Monsanto tivéssemos trocado cartas enormes planejando que eu ia chegar de mansinho, ligar para ele usando um nome tipo Adam Yulch ou Lalagy Pulvertaft (também escritores).” (Kerouac)

(Fonte: Encarte do Documentário One Fast Move or I’m Gone)

Big Sur é uma complexa obra de Jack Kerouac escrita em apenas 10 dias, que se aprofunda em termos psicológicos bastante pessoais do autor, sobre o sofrimento da existência caótica de um poeta beat, a degradação da sua saúde, a descrença espiritual, as pressões da fama como escritor e como ícone. Há uma sinceridade triste na obra com a qual é quase impossível não se conectar, e no documentário “One Fast Move or I’m Gone”, que trata sobre este livro, esta conexão é bem exemplificada, pela relação que as pessoas passam a ter com o livro depois de lido.

Pessoalmente, confesso que compartilho desta conexão com o livro (talvez por isso esteja sendo tão difícil tentar falar sobre ele), mesmo não sendo o meu favorito do Kerouac, é um grande livro. Ao mesmo tempo que é pesado, como se não houvesse forma de terminar a leitura, sem que ou você, ou o autor desistisse daquela história (não por ser ruim, ou difícil, mas sim pela imersão do leitor). Ele também é um livro lindo, no final.

Como um degradado-apaixonado pela vida, Jack compõem uma obra beat, sonora e poética, com suas descrições, divagações e alucinações. E descreve uma viagem diferente da vivida em On The Road. Não gosto muito dessa definição, mas talvez, Big Sur possa ser considerada uma continuação de On The Road, não somente no contexto, mas também em uma compreensão mais essencial da obra.

“’Tenho que fazer alguma coisa senão eu já era’, eu percebo, seguindo o caminho dos últimos três anos de desesperança bêbada que é um tipo de desesperança metafísica e espiritual que você não aprende na escola não importa quantos livros de existencialismo ou pessimismo você lê.” (Kerouac)

Ano que vem o livro completará 50 anos, e existem notícias sobre o lançamento de um longa da história. Esperaremos, pois parece que 2012 será o ano do Kerouac nas telonas. Além de Big Sur, On The Road e Os Vagabundos Iluminados também estão sendo adaptados.

Onde encontrar? Aqui no Brasil, a L&PM possui o livro em português na versão digital (e-book) e impresso como Pocket. Ou pode ser comprado pelo site da Saraiva.

Documentário sobre o livro

“One Fast Move or I’m Gone” é um documentário que trata especificamente do livro Big Sur, e que complementa a experiência de ler a obra e de conhecer um pouco mais sobre o próprio Jack. Já publicamos antes algumas informações sobre o documentário no post Documentários sobre Kerouac.

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Filme – On The Road


Em 23 de julho de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Essa semana resolvi fazer um post diferente, não serei “o escritor” integral do post, chamei uma pessoal especial [minha Calíope] para escrever sobre ele. Queria ver o filme por outros olhos [de uma pessoal que viu o filme e leu o livro], e mesmo não tendo lido o livro, compartilho das mesmas opiniões sobre o longo On The Road.

Walter Salles foi o escolhido para levar ao cinema o clássico da literatura Beat, ele demorou oito anos em todo o processo de roteirização, escolha de elenco, financiamento e filmagem. Apesar de aclamado em alguns lugares o filme não tem agradado o publico em geral.

Vamos a resenha:

Ao ler sobre a história do livro On The Road de Jack Kerouac, entender o quanto este livro pode ter influenciado uma geração inteira, ler que 50 anos foram “aguardados” para que esta história fosse adaptada para o cinema criei uma imensa expectativa sobre o filme Na Estrada de Walter Salles.


Dias antes da estréia do filme ganhei o livro On The Road (esse da L&PM com o pôster do filme) e comecei a lê-lo. No começo do livro você já sente o anseio pela estrada, o gosto pelodeixar tudo pra trás e ver, conhecer, sair por aí e observar (sim, observar!) o mundo e as pessoas.” Quis logo ver o filme antes de terminar o livro por que acredito que filmes adaptados devem fazer você sentir a história, entende-la sem precisar ler a obra inspiradora. Pelo menos os bem dirigidos acredito que funcionam assim.

Não tenho uma opinião muito formada sobre o Salles em On The Road, na verdade não compreendo muito bem essas partes mais específicas ou técnicas do cinema, como até onde é culpa do diretor, do roteirista ou dos atores”. A única coisa que sei é que quando o filme estreou na sexta feira, no sábado eu estava no cinema para conferir. Ansiosa. Essa é a palavra.

Comprei meu ingresso. Entrei na sala do cinema. Lá estava eu inquieta querendo que tudo começasse logo. Começou. Os primeiros minutos do filme são belos, boa fotografia, cenas bem filmadas com ângulos interessantes.  O filme promete, mas não cumpre.


Foi aí que a decepção começou, a organização temporal do filme é um pouco complicada, junto com o enredo que para mim não passou de drogas, sexo e degradação. É difícil dizer se o filme foi bom ou ruim. Na verdade acho que ele nem é bom nem ruim. É chato mesmo.

Lembro-me de ter saído exausta da sala do cinema, de ficar incomodada no banco, olhando ao redor, até tentar abotoar minha bolsa foi mais interessante em alguns momentos. Os olhos cansam de ver “pessoas pirando em cada momento de maneiras diferentes”. Principalmente quando se deduz que toda essa “piração” devia ter um sentido, nem que o sentido fosse enlouquecer sem sentido algum.

No livro há vários sentidos: Viver sem preocupações muito distantes, aproveitar antes de a realidade bater a sua porta, ou até mesmo a maturidade chegar e você não ter como fugir. Uma pena nada disso ter sido levada em conta no filme.

A situação chegou num ponto que mais ou menos umas seis pessoas saíram da sala do cinema. Alguns minutos depois ouvi um senhor dizendo: “Não disse que esse filme só ia ter putaria”, umas senhoras que encontrei no banheiro no fim do filme diziam: “tsc tsc tsc… Kerouac devia ter visto isso, me senti tão inspirada quando li quando era jovem, o que esse Salles estava pensando?”


Nesse espírito que todos saíram, parecíamos que tínhamos levado um balde de água fria e um pisão no pé.  Em um dado momento, cheguei a pensar: “aaaah agora acaba, não é possível” e não, Dean e Sal decidem ir ao México, fazendo com que o filme dure mais meia hora.

Salles não acompanhou o ritmo de Kerouac, essa é a verdade. Kerouac exigia mais visceralidade, já que a crise existencial e busca por si mesmo na estrada é o que envolve todo o livro On The Road (terminei de ler essa semana!). Os anseios, as dúvidas, os desejos de Sal (Alter ego de Kerouac) em ter uma esposa e amar uma mulher, não aparecem, a complexidade de Dean (alter ego de  Neal Cassady, amigo de Kerouac) também é deixada de lado, no filme ele parece um inconseqüente viciado em drogas e mulheres.

Saí do cinema tentando pensar se esse sentimento de cansaço era proposital, ou se pra nós esse tipo de viagem e comportamento é muito distante nos causando essa sensação. Não sei. O final é bom, uma das partes com atuações que mais se assemelharam a Kerouac (ainda não sendo tão angustiante como no livro) assim como as atuações de Kirsten Dunst que renderam boas cenas, cenas que correspondiam ao que todos esperavam.


Hoje só consigo pensar que toda a poesia, desejo de passar por aí conhecendo pessoas livremente, experimentando, sentindo, vivendo e tendo histórias pra contar não está no filme.

Só me lembro de ter alguém na fila do banheiro que me perguntou: “E você menina o que achou?” Eu disse “Acho que eu preciso beber alguma coisa e esvaziar a cabeça porque não consigo achar nada, moça. Estou exausta!”.

 

Essa semana eu volto com mais filmes…


E me acompanhe no malditovivant.net

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Trailer: On The Road


Em 9 de Março de 2012
Durante o cafezinho do(a)

A adaptação do clássico beat On The Road (de Jack Kerouac), um dos esperados filmes de 2012, dirigido por Walter Salles, acabou de ter o seu trailer oficial publicado no facebook, através da página “On The Road – The movie“, na aba “Exclusive contents”.

(Pôster do filme divulgado através da página oficial no facebook)

Atualizado em 10/03, 13:13:


On the road – Official trailer – (HD 1080p) por MK2diffusion

Sobre o lançamento do filme no Brasil, as informações que temos, foram as divulgadas pelo twitter do Grupo PlayArte, @grupoplayarte

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Se você ainda não leu este grande clássico da literatura, procure o livro na loja virtual da Saraiva, “On The Road“;  também na versão “On The Road – O Manuscrito Original“.

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HQ – Kerouac,


Em 2 de Março de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Kerouac ‘virgula’ por si só, é um personagem de muitas interpretações, um autor cuja vida e obra andaram sempre muito próximas, talvez refletindo-se, talvez confundindo-se.

Lançada em 2011 pela Devir (site oficial), a HQ nacional “Kerouac,”, de João Pinheiro é uma revista de 112 páginas em preto e branco, com uma estética que reflete um pouco do movimento beat, e que parece ter como objetivo apresentar um pouco da vida do poeta Jack Kerouac, através da representação biográfica do mesmo como um personagem inserido em um ambiente contextualizado entre as decadas de 20 e 60, centrando-se em alguns momentos da sua vida.

De modo geral é uma HQ interessante por ser nacional e falar de um autor que, para muitos brasileiros, ainda é bastante desconhecido. A história baseia-se em biografias sobre Kerouac, traz diversas fotografias conhecidas do autor transformadas em desenhos, além de referências às suas obras, em especial On the Road e Big Sur. Apesar disso, acredito que a obra, cria uma interpretação de Kerouac da qual não compartilho.

Onde encontrar? No site da Saraiva ou na Comix.com.br, por R$25,00.

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64 páginas


Em 24 de Fevereiro de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Para quem adora pockets (assim como nós da Turma), a L&PM estará lançando nos próximos dias uma coleção de livros com 64 páginas cada que custarão R$5 na versão impressa, ou R$3 em e-book. Pelas informações divulgadas no facebook oficial da editora, inicialmente serão 12 livros, entre eles, Kerouac, Bukowski, Tolstói, Fernando Pessoa, Tchékhov e outros.

(Obs.: Este post não foi pago, é que a gente gosta mesmo dos Pockets da L&PM.)

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Kerouac entre Paris e México…


Em 19 de setembro de 2011
Durante o cafezinho do(a)

Jack Kerouac já é um conhecido dos leitores da Turma do Café, aparecendo em vários posts sobre escritores, reviews de livros, divagações poéticas… E hoje viajamos com ele em mais duas de suas obras, Tristessa e Satori em Paris.

Primeiramente, para os que não conhecem a literatura de Kerouac, o poeta beat é autor de um dos grandes clássicos da literatura americana, On The Road, além de ser reconhecido pela introdução de um estilo de escrita singular, que busca remeter o leitor à sonoridade da cena, à visualização não somente pelas palavras, mas também pelo ato de ler. Mas longe de serem apenas forma, as obras de Jack possuem um rico conteúdo poético. É a prosa poética em uma das suas mais belas representações.

Ao lado de tantas obras de maior reconhecimento, Tristessa e Satori em Paris acrescentam suas contribuições para o trabalho de Jack, com a proximidade literária entre elas (ao menos na minha percepção, pelo estilo de escrita utilizado em ambas), mesmo quando as histórias se passam em dois universos tão distantes.

Tristessa e Satori em Paris - Jack Kerouac

Tristessa é um romance de leitura rápida, porém apaixonadamente envolvente. Num triste México dos anos 50-60, um poeta apaixona-se por uma viciada, e descreve este amor através de uma singela visão humana, dotada de compaixão, sofrimento, álcool e morfina, e com alguns ensinamentos budistas (pelas percepções de Kerouac).

“Desde tempos imemoriais e adentrando o futuro sem fim, os homens amaram mulheres sem dizer a elas.” (Tristessa)

“O gato mia com tamanha violência que eu começo a me preocupar pela galinha, mas não, o gato está apenas meditando agora em silêncio sobre um pedaço de cheiro no chão, e faço o coitadinho vibrar, um ronronar nos ombros magros e grudentos com a ponta de meu dedo – Hora de ir embora” (Tristessa)

Tristessa - Jack Kerouac

Satori em Paris é o relato de uma viagem de Kerouac à Europa, que entre devaneios, busca informações sobre o nome de sua família e seus antepassados. Em apenas 10 dias, acontecimentos seguidos levam-no à iluminação, no banco de um táxi.

“Ela […] sorri e vai embora com um rapaz bonito, e sou deixado ali no banco do bar importunando todo mundo com minha solidão desgraçada que passa despercebida na noite movimentada e atordoante, no bater da caixa registradora, na balbúrdia da lavagem de copos. Quero dizer a eles que não queremos todos ser formigas contribuindo para o organismo social, mas individualistas contados um por um, mas não, tente dizer isso aos que entram-e-saem com pressa dentro e fora da noite agitada do mundo enquanto o mundo gira em um só eixo. A tempestade secreta se tornou um temporal público.” (Satori em Paris)

Entre Paris e México, estas belas contribuições de Kerouac nos mostram o grande autor que ele é. Principalmente por explorar o seu próprio estilo literário, longe de ser possível resumir Jack à On The Road.

A minha dica pessoal, como leitor de diversas obras dele, é a leitura destes dois livros após o clássico On The Road, Os Vagabundos Iluminados e Big Sur (opcional), que vejo como obras que facilitam a introdução ao estilo de escrita do autor. Assim sendo muito mais proveitosa e agradável a leitura de Tristessa e Satori em Paris.

Onde encontrar os livros? Os dois estão disponíveis em Português pela L&PM Pocket. Ambos na versão impressa, e Satori está também disponível como e-book. Você pode encontrar os livros na Saraiva: Satori em Paris e Tristessa.

Aos que divagam com Kerouac, deixem seus comentários!

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Documentários sobre Kerouac


Em 16 de setembro de 2011
Durante o cafezinho do(a)

O @fabiofaller já me falou mais de uma vez que a minha monografia ao invés de blogs deveria ter sido sobre Jack Kerouac (vai saber, quem sabe fique para o mestrado), já que eu não passo dois dias sem citar o autor. Mas esse fascínio sobre a obra de Kerouac levou-me à busca de dois documentários sobre ele. Um deles, o “What Happened to Kerouac?” e o outro “One Fast Move or I’m Gone”.

O primeiro, “What Happened to Kerouac?”, trás como subtítulo (em uma tradução literal) “uma investigação do rei da geração beat”. Lançado em 1986, apresenta uma série de entrevistas de pessoas que conviveram com o autor (muitos dos quais aparecem como personagens em seus livros), construindo uma interpretação de Kerouac através daqueles que o conheceram. O documentário é um pouco cansativo, mas interessante pelo seu conteúdo, e principalmente pelos breves registros em vídeo de Kerouac em entrevistas e fora delas.

Já, “One Fast Move or I’m Gone”, é um documentário de 2008 sobre o livro Big Sur, uma das obras primas do autor. O documentário por si só é uma poesia visual, com uma trilha sonora de altíssima qualidade composta especialmente para o mesmo. Entre entrevistas e breves leituras de trechos do livro, o registro se constrói de forma apaixonada, buscando compreender esta singular obra. Um documentário muito recomendado para quem já leu o livro. E começa com a frase: “If you think Kerouac found salvation on the road… You don’t know Jack.”


Onde conseguir os documentários? Bem, aí complicou. Eu comprei “lá fora”, pois no Brasil é difícil encontrar, mas já vi o What Happened à venda em alguns sites brasileiros. Já o livro Big Sur pode ser encontrado na Saraiva.

Se você já assistiu algum documentário sobre o Kerouac, ou até mesmo sobre a geração Beat, deixe seu comentário!

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Escritores e café.


Em 30 de Maio de 2011
Durante o cafezinho do(a)

O café vem acompanhando famosos escritores durante anos, Honoré de Balzac por exemplo chegava a beber 50 xícaras por dia e quando não podia beber, mastigava os grãos de café, nesse post algumas fotos de pessoas que marcaram gerações com suas obras, regadas a muito café.

Abaixo temos F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway em um café com amigos, essa fase da vida de Hemingway é contado no livro Paris é uma Festa, onde descreve a Paris dos anos 1920 e sua vida boêmia.

Aqui encontramos a nata da chamada geração Beat, tomando um café da manhã em Nova York no ano de 1950. Larry Rivers, Jack Kerouac, Gregory Corso (de gorro), David Amram e Allen Ginsberg

 

Aqui Samuel Beckett bebe seu café em algum lugar de Paris.

Pra finalizar, o cara que é considerado um dos maiores poetas da música americana, completou 70 anos no último dia 24 de maio, Bob Dylan no café da manhã. Dylan escreveu a música One More Cup of Coffee que vocẽ pode curtir nesse post interpretada pelo White Stripes.

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Cafés, mochilas e montanhas com Kerouac


Em 29 de novembro de 2010
Durante o cafezinho do(a)

“Em um dia qualquer no final de setembro de 1955, bem ao meio-dia, peguei um trem de carga que saia de Los Angeles, subi em um vagão aberto e deitei com a cabeça apoiada na minha sacola, com os joelhos cruzados, e fiquei contemplando as nuvens enquanto viajava”, é assim que começa uma das grandes obras de Jack Kerouac, Os Vagabundos Iluminados.

Também era um dia qualquer no final de setembro, quando pela primeira vez abri o livro, sentado na sala de embarque do Salgado Filho rumo à Foz do Iguaçu. Já havia lido boa parte de On the Road e resolvi deixá-lo na mochila durante aquele final de semana, a fim de descobrir um pouco mais sobre Keroauc. E em apenas 4 horas, descobri um dos melhores livros que tive oportunidade de ler até hoje.

Os Vagabundos Iluminados (The dharma bums), conta a história dos amigos Ray Smith e Japhy Rider em uma viagem de busca pela iluminação zen-budista, mas longe de ser um livro de filosofias budistas, é sim uma ótima inspiração para aqueles que desejam entender um pouco sobre as mesmas. Com características parecidas de outras obras de Kerouac, o livro é de fácil leitura, com divertidas histórias, alguns pensamentos de grande valor, e um grande aprofundamento psicológico nos dois personagens principais, entre uns e outros cafés descritos durante o livro.

Um grande envolvimento com a história acaba levando o leitor a entender um pouco dos objetivos buscados pelos personagens, por isso, é um livro que deve ser degustado aos poucos, e não simplesmente ser lido para se “manter atualizado com a lista de Best-sellers”. Tenha ele sempre por perto, e aproveite cada oportunidade para lê-lo e encontrar-se em outro lugar, mesmo estando no meio de uma lanchonete ou numa fila qualquer.

Para quem nunca leu Kerouac, o livro é uma boa opção para se começar, mas recomendo que seja o segundo livro a ser lido. Escolha antes alguma outra obra, como On the Road ou Big Sur, pois assim aproveitará melhor ambos os livros, uma vez que essencialmente as histórias do autor beat se complementam, mesmo não tendo sido escritas em caráter de coleção, e dessa forma, uma ambientação no Mundo de Kerouac pode ser bem vinda.

Kerouac é um autor como poucos, que não simplesmente coloca uma história no papel, mas que consegue fazer algo mais, talvez pela sua forma desprendida (e revolucionária) de escrever, suas alucinações poéticas, seus delírios românticos, e a sua tristeza e alegria de viver…

“… o fato de que não havia nada ali para acalmar você com beijos e palavras gentis, mas bastava estar ali meditando pelo mundo […] – já estava bom demais ter nascido só para morrer, como todos nós.”

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