60 anos de Uivo


Em 9 de outubro de 2015
Durante o cafezinho do(a)

7 de outubro de 1955 no número 3119 da Fillmore Street em San Francisco, Califórnia, em um galpão de oficina mecânica transformado em galeria de arte e batizado de Six Gallery, um grupo se reuniu para um evento de poesia regado a muito vinho, chamado de The Six Gallery Reading.

O ápice da noite foi quando Allen Ginsberg, já embriagado, iniciou a declamação de Uivo, hipnotizando os presentes, entre eles William Burroughs e Jack Kerouac, dizendo exatamente o que eles queriam ouvir e da forma como eles queriam se expressar, fato que mais tarde foi tido como o marco inicial da Geração Beat, considerada um dos primeiros movimentos de contracultura americanos que abriu caminho para o movimento hippie e o punk, nesse momento os jovens começavam a ter voz, e foi através de um longo e marcante Uivo.
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Lançado em 1956, O Uivo, foi considerado obsceno e confiscado pela polícia de São Francisco, depois de um longo julgamento o poema foi liberado pela Suprema Corte Americana, e a partir disso foi sucesso imediato, vendendo milhões de cópias e tornando-se um marco na poesia americana, hoje Uivo é considerado junto com On The Road de Jack Kerouac e Almoço Nu de William Burroughs as mais marcantes obras da Geração Beat, influenciando milhares de pessoas, entre elas Bob Dylan.
Jack Kerouac, Lucien Carr e Allen Ginsberg

Jack Kerouac, Lucien Carr e Allen Ginsberg

Allen Ginsberg nasceu em Newark, Nova Jersey, em 1926. Em 1940 entrou para a Columbia University, onde, apresentado pelo editor Lucien Carr, conheceu William Burroughs, Jack Kerouac e Neal Cassady, nomes que se tornariam os maiores expoentes da geração beat.
A L&PM Editores possui uma edição revista e ampliada da obra de Ginsberg, chamada Uivo, Kaddish e Outros Poemas, traduzida por Claudio Willer, enriquecida com notas e um ensaio sobre a vida e obra de Ginsberg, altamente recomendado.
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“Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus

arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa,

hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado da maquinaria da noite,

que pobres, esfarrapados de olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos das cidades contemplando jazz,

que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cômodos,

 

 

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Quando o vento Sumiu


Em 6 de agosto de 2015
Durante o cafezinho do(a)

Este é o primeiro post da parceria entre a Turma do Café e a L&PM, pra quem não se lembra da marca, ela é ficou famosa no Brasil por seus livros de bolso, duvido que nosso leitor não tenha um dos livros da editora na prateleira.

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Eu mesmo tenho alguns, comecei comprando os Kafkas e depois me apaixonei pelos livros do Simenon [Um detetive bem diferente do Sherlock . Mas a L&PM não tem apenas a sua coleção de bolso, ela tem edições em formato tradicional. É sobre um dos seus lançamentos que eu farei o post de hoje.

Graciela Mayrink vem nos apresentar o seu 3º Livro.

Tudo começa com Suzan, que por um mero acaso está tomando um café [Hummmmm…] em uma cafeteria na Alemanha e acaba encontrando um dos seus amigos da Faculdade Renato, nessas primeiras linhas já temos a impressão de como o Renato foi importante na vida de Suzan. Mas logo em seguida somos introduzidos a um novo personagem, “o Misterioso” Mateus.

Logo em seguida somos jogados ao passado, na época em que o trio Suzan, Mateus e Renato, eram inseparáveis. Os três moram no Rio de Janeiro, mas apesar de amigos são completamente diferentes.

Renato vem de uma família abastada. Prefere a praia aos estudos.

Mateus era de uma família abastada, mas seu pai acabou sendo preso, por um desvio de dinheiro [um assunto bem atual].

Suzan vive de amores por Renato, mas nunca é correspondida.

Entre os três personagens centrais ainda têm os pais, que fazem a trama se tornar um pouco mais complicada do que se parece. Por mais que as primeiras linhas te leve a crer que a tudo se trata de um simples triangulo amoroso, ao passar as páginas percebemos que essa é apenas a ponta do iceberg.

Agora resta saber o que aconteceu entre os três nesse meio tempo o que o levou a mudança radical de cada um.

O que mais gostei do livro, foi a sensação de proximidade que o livro dá. Os personagens são bem reais e você pode ter conhecido uma Suzan ou mesmo um Renato, no meio da sua caminhada até aqui. Ao passo que temos um romance, somos apresentados a vários problemas da nossa sociedade contemporânea.

Outro fator positivo é a sua escrita, que lembra muito bem os livros da Coleção Vagalume, que fizeram a alegria de muitas pessoas da minha geração.

Recomendo o livro…

Graciela Mayrink nasceu no Rio de Janeiro. Publicou em várias antologias de contos e é autora dos romances Até eu te encontrar(2013) e A namorada do meu amigo (2014). É idealizadora do Projeto Jovem Curte Ler, que incentiva a leitura por meio de visitas a escolas, e uma das integrantes do Lit Girls, projeto que busca aproximar autoras e leitores. Site Facebook Twitter: @gracielamayrink Instagram/Snapchat: gracielamayrink

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Miscelânea Septuagenária


Em 23 de Fevereiro de 2015
Durante o cafezinho do(a)

Chegando aos 70 anos Bukowski resolveu comemorar, afinal havia conseguido sobreviver a uma vida de excessos e driblou a morte por um bom tempo, para isso lançou uma coletânea de contos e poemas chamada Miscelânea Septuagenária Contos e Poemas, isso foi la em 1990, pouco antes de falecer, em 1994, mas o livro chegou por aqui somente no ano passado através da L&PM.

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imortal bebedor de vinho

Li Bai, sigo pensando em você enquanto
esvazio estas garrafas de
vinho.

você sabia como passar os dias e as
noites.

imortal bebedor de vinho,
o que você faria com uma máquina de escrever
elétrica, 
chegando depois de dirigir pela
autoestrada Hollywood?

Nas páginas de Miscelânea Septuagenária Bukowski discorre sobre as suas mais variadas faces, o adorador de corridas de cavalo, o homem decepcionado com a atual geração de escritores chamada por ele de “farsantes e frouxos”, o beberão, o vagabundo e sua busca incessante por relacionamentos baratos, honrando com maestria seu apelido de velho safado.

Henry Charles Bukowski nasceu na Alemanha, em 16 de agosto de 1920, mudou-se com a família aos 3 anos de idade para os Estados Unidos, fixando residência nos subúrbios de Los Angeles depois de uma rápida passagem por Baltimore, com um pai autoritário, o velho Buk sofria diversos abusos quando criança, que refletem de forma intensa em sua literatura.

sim

acabo de ouvir um comercial
dizer que o Fazendeiro
John dos laticínios defuma seu próprio
bacon.
bem, aí está um cara
durão de
verdade.

Sempre direto e sem pudores, Bukowski conquistou admiradores pelo mundo, chegando a ser chamado de “o maior poeta da America” pelo filósofo francês Jean-Paul Sartre.

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Fã de Dostoiévski e Hemingway, Bukowski tirou das ruas de Los Angeles suas maiores inspirações, viveu na sarjeta e fez questão de mostrar isso ao mundo, fez dessas ruas o seu paraíso e interminável fonte de inspiração.

Em entrevista ao Estadão, o tradutor da obra, Pedro Gonzaga, cita que em Miscelânea Septuagenária pode-se ver um Bukowski mais completo, um artista que foi capaz como poucos de registrar aquele avesso do American Way of Life, sem falar do aspecto universal da solidão das metrópoles.

sempre

a coisa que
importa
é
a coisa
óbvia
que
ninguém
está
dizendo.

Para quem ainda não conhece o universo de Bukowski, Miscelânea Septuagenária é uma ótima porta de entrada, são contos rápidos e precisos, poemas que vão direto ao ponto.

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Título: Miscelânea Septuagenária – Contos e Poemas.
Autor: Charles Bukowski.
Tradutor: Pedro Gonzaga.
Editora: L&PM Editores.
Páginas: 392.
Preço: R$ 54,90.

 

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Big Sur e Jack Kerouac


Em 31 de Janeiro de 2015
Durante o cafezinho do(a)

Atenção, pode conter spoiler…

“Os sinos da igreja soam uma triste ‘Kathleen’ que o vento sopra até os barracos do skid row enquanto eu acordo todo lamentoso e gosmento, gemendo por conta de mais uma bebedeira e gemendo acima de tudo porque eu arruinei o meu ‘retorno secreto’ a São Francisco tomando todas enquanto me escondia pelos becos com vagabundos e depois fazendo uma entrada triunfal em North Beach para ver todo mundo embora eu e Lorenz Monsanto tivéssemos trocado cartas enormes planejando que eu ia chegar de mansinho, ligar para ele usando um nome tipo Adam Yulch ou Lalagy Pulvertaft (também escritores).” (Kerouac)

(Fonte: Encarte do Documentário One Fast Move or I’m Gone)

Big Sur é uma complexa obra de Jack Kerouac escrita em apenas 10 dias, que se aprofunda em termos psicológicos bastante pessoais do autor, sobre o sofrimento da existência caótica de um poeta beat, a degradação da sua saúde, a descrença espiritual, as pressões da fama como escritor e como ícone. Há uma sinceridade triste na obra com a qual é quase impossível não se conectar, e no documentário “One Fast Move or I’m Gone”, que trata sobre este livro, esta conexão é bem exemplificada, pela relação que as pessoas passam a ter com o livro depois de lido.

Pessoalmente, confesso que compartilho desta conexão com o livro (talvez por isso esteja sendo tão difícil tentar falar sobre ele), mesmo não sendo o meu favorito do Kerouac, é um grande livro. Ao mesmo tempo que é pesado, como se não houvesse forma de terminar a leitura, sem que ou você, ou o autor desistisse daquela história (não por ser ruim, ou difícil, mas sim pela imersão do leitor). Ele também é um livro lindo, no final.

Como um degradado-apaixonado pela vida, Jack compõem uma obra beat, sonora e poética, com suas descrições, divagações e alucinações. E descreve uma viagem diferente da vivida em On The Road. Não gosto muito dessa definição, mas talvez, Big Sur possa ser considerada uma continuação de On The Road, não somente no contexto, mas também em uma compreensão mais essencial da obra.

“’Tenho que fazer alguma coisa senão eu já era’, eu percebo, seguindo o caminho dos últimos três anos de desesperança bêbada que é um tipo de desesperança metafísica e espiritual que você não aprende na escola não importa quantos livros de existencialismo ou pessimismo você lê.” (Kerouac)

Ano que vem o livro completará 50 anos, e existem notícias sobre o lançamento de um longa da história. Esperaremos, pois parece que 2012 será o ano do Kerouac nas telonas. Além de Big Sur, On The Road e Os Vagabundos Iluminados também estão sendo adaptados.

Onde encontrar? Aqui no Brasil, a L&PM possui o livro em português na versão digital (e-book) e impresso como Pocket. Ou pode ser comprado pelo site da Saraiva.

Documentário sobre o livro

“One Fast Move or I’m Gone” é um documentário que trata especificamente do livro Big Sur, e que complementa a experiência de ler a obra e de conhecer um pouco mais sobre o próprio Jack. Já publicamos antes algumas informações sobre o documentário no post Documentários sobre Kerouac.

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A Revolução dos Bichos


Em 8 de Janeiro de 2013
Durante o cafezinho do(a)

Na primeira vez que ouvi falar sobre Revolução Russa, tinha onze anos e, como estava lendo um livro que contava de forma fantasiosa o processo, nem sabia que era sobre isso que se tratava. Anos mais tardes, nas várias vezes que o reli, fiquei cada vez mais encantada com a simplicidade com que essa complexa história foi contada, na figura de interessantes animaizinhos de uma fazenda. O livro em questão se chama A Revolução dos Bichos, foi escrito por George Orwell e é visto como um clássico da literatura, figurando na lista dos melhores romances dos últimos tempos.

 

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O livro começa contando sobre um grupo de animais que, influenciados pelo sonho do porco Major e cansados de trabalhar incansavelmente em troca de ração para o fazendeiro Jones, resolvem fazer uma revolução, expulsando o fazendeiro da fazenda e mudando o nome da Granja do Solar para Granja dos Bichos. Iniciava-se então o Animalismo, doutrina que entre tantos princípios, tinha como maior máxima “todos os animais são iguais”.

 

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No início, todos os animais ganhavam a mesma quantidade de ração e, mesmo que nem todos soubessem expor corretamente suas opiniões, todos podiam votar, de forma que dois porcos acabaram por ser vistos como os líderes da revolução, uma vez que se destacavam na administração e elaboração de propostas para a fazenda. Esses dois porcos eram Bola-de-Neve, que se considerava igual aos outros, e Napoleão, que sempre discordava da opinião de Bola-de-Neve e ansiava ter o poder para si. A luta pelo poder ficou bastante definida na reprovação de Napoleão quanto à construção de um moinho e, pouco tempo depois, Napoleão dá “um golpe de estado”, expulsando Bola-de-neve e assumindo a administração da Granja dos Bichos.   Napoleão segue com o projeto da construção do moinho e a princípio, mostra-se como um líder firme e justo, mas aos poucos alguns animais começam a desaparecer, outros são retirados da convivência dos pais e os sete mandamentos do Animalismo são cada vez mais desrespeitados, distorcidos e esquecidos. Napoleão se mantém no poder por sua forte figura, pelos discursos eloqüentes do porco Garganta (propaganda), manipulação de animais mais influenciáveis como as ovelhas e repressão de quem quer que seja que se opunha ao regime. Enquanto alguns animais ganham pouca ração e não têm direitos, os porcos, que são “animais superiores”, vão ganhando mais e mais privilégios, resultando numa ditadura dos porcos, cada vez mais parecidos com os humanos. Dos sete mandamentos, restou apenas uma única máxima: “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”.

 

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A Revolução dos Bichos é um livro fantástico que, apesar das claras analogias à Revolução Russa e a ditadura de Stalin, pode ser inserido em qualquer contexto e época, pois a ganância, manipulação e corrupção fazem parte das nossas vidas e, infelizmente, a história se repete. É interessante que além de tratar de forma simplificada sobre o socialismo e outras ideias políticas, o livro fala da sociedade e dos homens em geral, tanto que cada animal tem uma característica humana, como autoritarismo, determinação, ingenuidade e também, capacidade de sonhar. O leitor pode se emocionar com a visão e vontade de mudar do Major e de Bola-de-Neve, e se indignar quanto ao fim trágico do bondoso e trabalhador Sansão, bem como quanto à indiferença do grupo dominante em relação aos problemas sociais. A leitura é tranqüila, a história flui com naturalidade e o livro pode ser lido por crianças e adultos, de forma que Revolução dos Bichos é um ótimo livro tanto para quem procura entender melhor como ocorre a corrupção de certas ideologias (e ao compreender, talvez procurar evitá-la), quanto para quem simplesmente vai à livraria em busca de uma boa leitura.

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Livro – Os caminhos da força.


Em 18 de setembro de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Todos nos amantes de StarWars sabemos que o caminho da força tem dois lados, o lado do Bem [Jedi] e o lado Negro [Sith], sabemos também que a linha que divide os dois lados é muito fina, veja o caso de Anakin Skywalker que no meio de sua jornada foi levado para o lado Negro.

O que não sabemos exatamente é como se faz um Sith ou um Jedi, para mostrar um pouco mais sobre isso Daniel Wallace criou dois belos livros que servem como guia para o mundo dos Jedis ou dos Siths. Os dois livros são bem ricos em detalhes ao mostrar os dois mundos, tantos suas técnicas de lutas ou estilo “de magia”, além de mostrar mais sobre as raças e os veículos do mundo de StarWars.

Um dos detalhes mais legais do livro, é a ideia de secularidade, o livro é passado de mestre para aprendiz. O livro dos Jedis pertenceu a Yoda, depois para  Thane Cerulian, Conde Dooku [um dos meus Siths favoritos], Qui-Gon Jin, Obi Wan Kenobi, Anakin Skywalker e acabou chegando nas mãos de Luke Skywalker. Por conta “do passar de mãos” do livro, ele é cheio de pequenas anotações com as letras dos famosos Jedis.

Até agora não existe uma edição nacional do livro, mas em compensação existe uma edição de luxo de cada livro, na edição especial o livro vem protegido com uma caixa automática [que serve de cofre e abre automaticamente] e cheia de extras, um mapa das estrelas  para os Jedis e para os Siths um cristal para construção do saber de luz entre outras coisas.

 

O livro pode ser encontrado nas melhores livrarias, já a edição especial pode ser comprada pelo Ebay.

 

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Livro – Deuses Americanos


Em 15 de setembro de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Deuses Americanos é considerado o melhor romance do roteirista de Sandman, Neil Gaiman.

 

O livro conta a história de Shadow, que ao sair da prisão é recrutado por um homem misterioso conhecido como Wednesday, sem nada a perder Shadow aceita o emprego e passa a acompanhar seu novo patrão. Com o decorrer dos fatos Shadow descobre que Wednesday é simplesmente Odin, o maior dos deuses, uma referência que fica clara já no início do livro, pois Quarta-feira é o dia de Odin, e que está sendo usado em uma guerra que Odin planeja começar contra os novos deuses, que tomaram conta das Estados Unidos após os deuses antigos terem sido abandonados por seus fiéis, esses novos deuses são conhecidos como Internet, telefone celular, cartão de crédito entre outros.

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Neil Gaiman

Shadow parte pelos Estados Unidos atrás dos antigos deuses, trazidos a América através da crença dos imigrantes vindos do Velho Mundo, os recrutando para a batalha, Gaiman nos mostra conhecidos deuses da antiguidade, antes reverenciados e poderosos, vivendo como mendigos, prostitutas e golpistas, posições nada condizentes com seus antigos status.

“Não diga que um homem é feliz – disse Shadow – até que ele esteja morto.”

A história de Deuses Americanos é viciante, Gaiman consegue nos prender e transmitir a angústia que Shadow está passando enquanto vive aquela guerra que está muito além de sua compreensão, a dualidade dos personagens também é um ponto forte, nunca sabemos ao certo quem é o bonzinho da história, o que torna tudo mais intrigante ainda.

“Tinha só um cara na Bíblia inteira pra quem Jesus prometeu pessoalmente
um lugar no paraíso do lado dele. Não foi pra Pedro, nem pra Paulo,
nem pra nenhum daqueles caras. Ele era um ladrão condenado,
que estava sendo executado. Então, não fica tirando uma dos caras
no corredor da morte. Talvez eles saibam de alguma coisa que você não sabe.”

A narrativa é uma clara crítica a sociedade baseada no consumo e obssecada pelo dinheiro e pelo poder que o mundo se tornou, esquecemos de nossas verdadeiras crenças e passamos a adorar inovações tecnológicas que acabam nos afastando do que realmente importa, Gaiman conseguiu criar um universo onde coloca todas essas reflexões na cabeça do leitor.

Quero recomendar a todos que leiam o livro e conheçam outras obras do autor, principalmente Sandman e Lugar Nenhum, depois voltem para contar o que acharam e suas reflexões sobre essa nova sociedade e seus novos deuses. O livro está em sua terceira edição, pela Editora Conrad, sugiro que corram atrás pois geralmente as edições esgotam rapidamente.

“Uma questão que sempre me intrigou é o que acontece com os seres demoníacos
quando os imigrantes se mudam de sua terra natal.
Americanos de ascendência irlandesa lembram-se das fadas, americanos de
ascendência norueguesa, das nisser, americanos de ascendência grega, das
vrykólakas, mas só no que diz respeito a eventos acontecidos no Velho
Continente. Certa vez, quando perguntei por que tais demônios não são vistos
nos Estados Unidos, meus informantes riram confusos e disseram: “Eles têm
medo de cruzar o oceano, é muito longe”, chamando a atenção para o fato de que
Cristo e os apóstolos nunca estiveram na América.”

Trecho do livro de Richard Dorson, “A Theory for American Folklore”, American
Folklore and the Historian, que abre o livro de Neil Gaiman.

Algum tempo atrás o próprio Neil Gaiman disse que havia vendido os direitos do livro e o mesmo seria adaptado para o cinema, aguardamos ansiosos.

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Livro – As Raízes do Rock


Em 19 de junho de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Sempre gostei muito de Blues, principalmente das histórias e lendas que cercam esse gênero musical surgido nas plantações de algodão do delta do Mississipi.

O blues era tocado originalmente com violão, piano ou gaita, e cresceu nos lares negros do sul, nas serrarias, nas prisões, nos campos de lenhadores, nos trens e nas plantações de algodão durante o início do século XX.

Toda essa atmosfera que antecede o Rock n’ Roll e inclui o blues é contada pelo jornalista Florent Mazzoleni com uma riqueza de detalhes incrível no livro recentemente lançado no Brasil pela Companhia Editora Nacional chamado As Raízes do Rock.

O livro aborda a década de 1930 a meados de 1950, passando pelo Boogie Woogie, pelas famosas Orquestras de Jazz, pelo blues, pelo Country, pela música gospel, entre outros diversos estilos que se fundiram dando origem ao Rock n’ Roll.


Temos uma sessão no livro chamada Os Reis do Rock que é um espetáculo a parte, com capítulos dedicados a Bill Halley, Fats Domino, Little Richard, e é claro ao Rei Elvis Plesley, entre outras lendas, tudo isso com muitas fotos que são mais de 300 durante o livro todo, entre shows, capas de discos, recortes de jornais e cartazes promocionais.

O livro As Raízes do Rock conta também toda a evolução cultural e da indústria fonográfica, o crescimento dos grandes selos independentes e o surgimento dos discos de 45 rotações e dos transistores. As mudanças culturais pelas quais o mundo passava, os Estados Unidos vivendo uma época de prosperidade econômica com o final da Segunda Guerra Mundial, a luta dos negros por seus direitos e como todos esses acontecimentos influenciaram a música.

 

Posso dizer sem dúvidas que o livro é essencial para que curte música e quer conhecer um pouco mais de como o rock, o blues, o country, o jazz e outras vertentes mudaram o mundo e até hoje embalam sonhos.

Livro: As Raízes do Rock
Autor: Florent Mazzoleni
Editora Nacional
Páginas; 224

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Lugar Nenhum


Em 25 de Maio de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Antes de falar sobre este livro, preciso contar como esbarrei nele. Há cerca de dois anos eu morava em Florianópolis e trabalhava em uma empresa de desenvolvimento de jogos. Meu cargo era suporte técnico, mas o que interessa é que todo mundo lá era nerd, assim como eu. Um dos escritores do universo ficcional do jogo um dia mandou um e-mail para todos da empresa dizendo que tinha vários livros que queria vender e perguntou se alguém tinha interesse. Ele passou uma lista com os nomes e vi que a maioria era em inglês. Como eu tenho fluência em inglês, pensei que era uma boa chance de conhecer a literatura estrangeira sem as falhas da tradução. Claro, como sou fã de ficção científica, pensei que era um tesouro que se apresentava. Ele estava vendendo os livros por R$ 5 e R$ 10 e, entre os que lá estavam, comprei o Neverwhere por R$ 5. Logo digo o porquê, mas já adianto que, em uma cidade onde chovia muito na época, foi um dos melhores livros que já li em uma determinada situação.

Pensei em escrever sobre ele porque estava vendo livros no Submarino e de repente vi um que me chamou a atenção. Foi depois que vi que na verdade era o Neverwhere, traduzido e vendido aqui como Lugar Nenhum. Já dá para chamar a atenção para o livro pelo autor, Neil Gaiman. Para quem não o conhece, ele é autor da famosa série Sandman e, também, um conceituado escritor de ficção científica. No livro Neverwhere (vou chamar assim, pois foi assim que o conheci e li), a história é uma espécie de Alice no País das Maravilhas e os filmes mais recentes do Batman. O enredo é, praticamente, Alice, mas o clima é uma união de Batman, em termos de personagens surpreendentes e negros, e cenários que você vê nos filmes de Hellboy.

A história é centrada em Richard Mayhew, um jovem escocês que decide um dia se mudar para Londres. Ele tem um emprego, uma noiva, uma vida comum e um prospecto de futuro, mesmo que não seja um futuro como ele queria. Até que um incidente acontece e Richard entra em um mundo paralelo, a Londres de baixo. A Londres de baixo é tudo que a cidade de Londres é normalmente, a não ser pelo fato de que os que vivem em Londres não veem a Londres de baixo ou o que nela habita. Um mundo diferente de tudo que você pode imaginar é descrito em detalhes que realmente surpreendem, pois não há como comparar direito com outro mundo. Não se trata de criaturas típicas de diferentes mitologias, são realmente coisas novas, criadas exclusivamente por Gaiman. E é ali que tudo fica interessante.

A vontade de falar sobre esse livro se deu pela coincidência de ter encontrado, sem querer, o livro logo nesta época do ano, que mais chove e que torna a leitura muito mais interessante do que se você ler em pleno verão. O clima do livro é negro, mas não necessariamente de terror ou pesado. É negro como um dia chuvoso, onde tudo está sempre molhado, mas ocasionalmente você encontra um lugar seco. Lembro que tomei muito mais café enquanto lia este livro do que outros que já li.

Se você, como eu, nunca leu Alice no País das Maravilhas, mas gostaria de ler uma história extremamente interessante e, apesar de similar no enredo, única, recomendo Lugar Nenhum. Para melhor proveito, leia em uma cama ou sofá, com cobertas e uma xícara de um bom café, de preferência preto.

Não procurei se tem disponível em outros sites, mas no Submarino você encontra o livro neste link.

É uma leitura e tanto por apenas R$ 29,90.

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64 páginas


Em 24 de Fevereiro de 2012
Durante o cafezinho do(a)

Para quem adora pockets (assim como nós da Turma), a L&PM estará lançando nos próximos dias uma coleção de livros com 64 páginas cada que custarão R$5 na versão impressa, ou R$3 em e-book. Pelas informações divulgadas no facebook oficial da editora, inicialmente serão 12 livros, entre eles, Kerouac, Bukowski, Tolstói, Fernando Pessoa, Tchékhov e outros.

(Obs.: Este post não foi pago, é que a gente gosta mesmo dos Pockets da L&PM.)

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