“Só os olhos que choram sabem ver.” Divina Tragédia.
Ontem fui ao cinema, assistir ao novo filme de Gus Van Sant [Inquietos] não esperando muito do filme, isso porque sua sinopse já está meio batida e mesmo sem ir ao cinema, você pode deduzir o final com tranqüilidade. Em uma parte eu estava correto, o final é algo inevitável, mas o seu caminho não.
Esse é o charme de Inquietos, Gus Van Sant consegue abordar de forma poética a dificuldade de lidar com o fim, com as perdas e com a inescapável morte. Toda essa poesia e dor são bem transmitidas pelo casal protagonista, que mesmo falando da morte, usam a leveza dos gestos e das palavras para criar uma atmosfera tranqüila.
Para tamanho sentimento foram criado dois personagens completamente diferentes. Enoch [Henry Hopper, você ainda vai ouvir falar desse rapaz] é o escuro se veste formalmente, um pessimista convicto. E Annabel [Mia Wasikowska] a luz, sempre otimista, uma amante da vida, busca a felicidade em todos os pequenos momentos.
Mesmo com as diferenças ambos são fascinados pela morte, cada um por uma razão distinta, Annabel é uma paciente com Câncer em estágio terminal, Enoch não conseguiu superar a perda da sua família em um acidente de carro e não quer mais viver.
Um terceiro personagem entra para balancear o enredo, Hiroshi é o amigo imaginário de Enoch. Hiroshi diz ser um piloto Kamikaze, ele serve de consciência positiva que busca sempre reabilitar o garoto, o poupando de mais dor e sofrimento.
Essa paixão pela morte aproxima os dois, que logo iniciam um romance puro e lúdico, esse amor faz Enoch começar a viver, mesmo sabendo que a cada dia que passa a vida de Annabel não lhe pertence mais, assim eles buscam a felicidade juntos, tornando os três meses de convivência os melhores.
Os dias são cada vez mais cheios, e o amor cresce a cada dia que passa, mas o fim se torna cada vez mais próximo e enquanto a conformada Annabel treina para sua ida, Enoch vive com o medo de novamente perder alguém que ama, e não consegue aceitar isso.
O roteiro do filme é sempre pensado pra frente, mostrando que o passado dos dois não faz diferença, e sim o seu futuro juntos. Mesmo assim temos alguns detalhes que explicam as atitudes de Enoch, mas nada que explica o conformismo de Annabel.
Não posso deixar de recomendar esse belo filme, se for levar a namorada, não se esqueça de carregar o lencinho. Que mesmo o filme tendo o seu final anunciado, a maneira como se chaga lá, é muito emocionante.
Agora fica a pergunta. A cena final poderia ter sido feita de uma maneira mais bela?
[Eu Creio que não]
Tags: filmes













Pô, parece super interessante. Vou aguardar chegar aqui nesse fim de mundo meu amigo.
Bjs Bjs!!!
O figurino já me ganhou nas imagens e sua descrição então. esse vai pra lista dos que eu preciso ver.
beijos