Essa semana resolvi fazer um post diferente, não serei “o escritor” integral do post, chamei uma pessoal especial [minha Calíope] para escrever sobre ele. Queria ver o filme por outros olhos [de uma pessoal que viu o filme e leu o livro], e mesmo não tendo lido o livro, compartilho das mesmas opiniões sobre o longo On The Road.
Walter Salles foi o escolhido para levar ao cinema o clássico da literatura Beat, ele demorou oito anos em todo o processo de roteirização, escolha de elenco, financiamento e filmagem. Apesar de aclamado em alguns lugares o filme não tem agradado o publico em geral.
Vamos a resenha:
Ao ler sobre a história do livro On The Road de Jack Kerouac, entender o quanto este livro pode ter influenciado uma geração inteira, ler que 50 anos foram “aguardados” para que esta história fosse adaptada para o cinema criei uma imensa expectativa sobre o filme Na Estrada de Walter Salles.
Dias antes da estréia do filme ganhei o livro On The Road (esse da L&PM com o pôster do filme) e comecei a lê-lo. No começo do livro você já sente o anseio pela estrada, o gosto pelo “deixar tudo pra trás e ver, conhecer, sair por aí e observar (sim, observar!) o mundo e as pessoas.” Quis logo ver o filme antes de terminar o livro por que acredito que filmes adaptados devem fazer você sentir a história, entende-la sem precisar ler a obra inspiradora. Pelo menos os bem dirigidos acredito que funcionam assim.
Não tenho uma opinião muito formada sobre o Salles em On The Road, na verdade não compreendo muito bem essas partes mais específicas ou técnicas do cinema, como “até onde é culpa do diretor, do roteirista ou dos atores”. A única coisa que sei é que quando o filme estreou na sexta feira, no sábado eu estava no cinema para conferir. Ansiosa. Essa é a palavra.
Comprei meu ingresso. Entrei na sala do cinema. Lá estava eu inquieta querendo que tudo começasse logo. Começou. Os primeiros minutos do filme são belos, boa fotografia, cenas bem filmadas com ângulos interessantes. O filme promete, mas não cumpre.
Foi aí que a decepção começou, a organização temporal do filme é um pouco complicada, junto com o enredo que para mim não passou de drogas, sexo e degradação. É difícil dizer se o filme foi bom ou ruim. Na verdade acho que ele nem é bom nem ruim. É chato mesmo.
Lembro-me de ter saído exausta da sala do cinema, de ficar incomodada no banco, olhando ao redor, até tentar abotoar minha bolsa foi mais interessante em alguns momentos. Os olhos cansam de ver “pessoas pirando em cada momento de maneiras diferentes”. Principalmente quando se deduz que toda essa “piração” devia ter um sentido, nem que o sentido fosse enlouquecer sem sentido algum.
No livro há vários sentidos: Viver sem preocupações muito distantes, aproveitar antes de a realidade bater a sua porta, ou até mesmo a maturidade chegar e você não ter como fugir. Uma pena nada disso ter sido levada em conta no filme.
A situação chegou num ponto que mais ou menos umas seis pessoas saíram da sala do cinema. Alguns minutos depois ouvi um senhor dizendo: “Não disse que esse filme só ia ter putaria”, umas senhoras que encontrei no banheiro no fim do filme diziam: “tsc tsc tsc… Kerouac devia ter visto isso, me senti tão inspirada quando li quando era jovem, o que esse Salles estava pensando?”
Nesse espírito que todos saíram, parecíamos que tínhamos levado um balde de água fria e um pisão no pé. Em um dado momento, cheguei a pensar: “aaaah agora acaba, não é possível” e não, Dean e Sal decidem ir ao México, fazendo com que o filme dure mais meia hora.
Salles não acompanhou o ritmo de Kerouac, essa é a verdade. Kerouac exigia mais visceralidade, já que a crise existencial e busca por si mesmo na estrada é o que envolve todo o livro On The Road (terminei de ler essa semana!). Os anseios, as dúvidas, os desejos de Sal (Alter ego de Kerouac) em ter uma esposa e amar uma mulher, não aparecem, a complexidade de Dean (alter ego de Neal Cassady, amigo de Kerouac) também é deixada de lado, no filme ele parece um inconseqüente viciado em drogas e mulheres.
Saí do cinema tentando pensar se esse sentimento de cansaço era proposital, ou se pra nós esse tipo de viagem e comportamento é muito distante nos causando essa sensação. Não sei. O final é bom, uma das partes com atuações que mais se assemelharam a Kerouac (ainda não sendo tão angustiante como no livro) assim como as atuações de Kirsten Dunst que renderam boas cenas, cenas que correspondiam ao que todos esperavam.
Hoje só consigo pensar que toda a poesia, desejo de passar por aí conhecendo pessoas livremente, experimentando, sentindo, vivendo e tendo histórias pra contar não está no filme.
Só me lembro de ter alguém na fila do banheiro que me perguntou: “E você menina o que achou?” Eu disse “Acho que eu preciso beber alguma coisa e esvaziar a cabeça porque não consigo achar nada, moça. Estou exausta!”.
Essa semana eu volto com mais filmes…
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Tags: beat, filmes, jack kerouac, na estrada, Neal Cassady, on the road, walter salles














Queria assistir, mas os cinemas daqui não colaboram, o filme não está em cartaz, vou ter que esperar o bluray.
Mesmo as pessoas não tendo aprovado eu quero ver.