Irremediável

Café Cultural
Durante o cafezinho do(a) marinamelz , em

Um primeiro encontro geralmente é muito bem planejado. Horário (com direito a minutos e segundos) para sair de casa, roupa bonita, corpo cheiroso. Um primeiro encontro geralmente é cheio de preparativos, com expectativa de não saber ao certo o que vai encontrar pela frente. E na última sexta-feira eu tive meu primeiro encontro com Chico Buarque. Meu maior ídolo vivo.

Saí duas horas atrasada, não tive tempo nem mesmo de trocar o sapato. Então vi Chico como eu passei o dia inteiro: de tênis, com desodorante no limite do vencimento e com a cara inchada de quem não dormiu, passou mal durante boa parte do dia e ainda chorou por duas horas por pensar que não chegaria a tempo. E foi amor a primeira vista.

Eu sabia exatamente o que esperar. Um Chico apaixonado, diziam. Um show mais intimista, comentavam. É tudo isso. Mas nem tanto assim. Tímido como sempre, parecendo entregue como nunca, Chico estava sereno. Com poucas palavras e muitos acordes. Com muitos suspiros vindos do lado de cá de um Teatro Guaíra lotado.

Digam o que quiserem dizer, me chamem de louca. Eu gosto do novo Chico. Tanto quanto sempre gostei do velho. E talvez tenha sido por isso que Essa pequena (chorei!), Nina, Querido diário e Tipo um baião me emocionaram tanto quanto Desalento, Bastidores e Velho Francisco.

Talvez pelo momento. No meu primeiro encontro com Chico, ele estava apaixonado, e eu também. Estive lá, nas confortáveis cadeiras de um dos teatros mais bonitos que eu já conheci, com a única pessoa no mundo com quem eu queria estar. O namorado que realizou mais esse sonho. Que fez com que eu riscasse mais um item da minha lista e mais um pouco o nome dele dentro de mim.

Também não tive como não reparar no sapato de Wilson das Neves. A participação especial em Sou eu foi uma das mais esperadas por mim no show. E não negou nenhum pouco ás expectativas: Chico Buarque é do samba. E só ao lado de um monstro como Wilson (que é das Neves mas tem interpretação confundível com Moreira) dá pra perceber isso.


A banda toda, aliás, merecia um texto só pra ela. A iluminação do show, outro. Mas não vou mais falar. Prefiro que vocês saibam só assim, meio superficialmente, que o show parece simplesmente não existir. É perfeito.

Eu tive um primeiro encontro com Chico Buarque. E é natural que isso presentemente represente muito pra mim.

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